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Mudando de sítio
Uma série de motivos aconselhou-me a alteração do sítio eletrônico deste nosso pequeno "blog".
Vamos à experiência -com o título "O BLOG DO V-P"- em
http://blogdovp.blogia.com/
Até lá.
(ass.) V-P nieto
Escrito por V-P (nieto) às 10h21
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VOLVER...LAS ALAS DEL TIEMPO...
Estive como que por um par de dias em Buenos Aires. De lá voltei, com algumas satisfações gastronômicas —um quilo a mais de abdômen— e, sobretudo, intelectuais: ali revisitei, por aquilo que mal se denomina acaso, um pouco da obra de VIKTOR FRANKL (que achei à venda em uma banquinha da Recoleta), mas, sobretudo, tive a ocasião de rememorar algumas notas da vida (e da morte) de LUGONES. Volto a isso em futura postagem.
Por agora, não resisto em apontar à leitura um excerto do Jornalista REINALDO AZEVEDO, em seu “blog” (a que ritualmente me dirijo todos os dias):
“Ê país... Se você se diz, sei lá, um agnóstico e chama Jesus Cristo de impostor, logo terá a sua coragem exaltada. Mas tente duvidar do Chico Buarque pra ver... Está decidido: quando eu estiver sem assunto, vou falar mal de algum livro de Marilena Chaui ou de alguma opinião política de Chico Buarque. Já cansei de esculhambar o Bolero, de Ravel, e gente que grita ‘uuuuuuuu’ em show de jazz”
(http://blogdoreinaldoazevedo.blogspot.com/2006_07_17_blogdoreinaldoazevedo_archive.html)
Escrito por V-P (nieto) às 20h30
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LABILIDADE (epílogo)
Para encerrar os temas de minha rubrica “LABILIDADE”, penso ter reservado o melhor aroma.
Se comecei com as linhas bocageanas “os lábios mentem; os olhos, não”, referindo a seguir o “coração murmura e a voz não diz” do nosso GUILHERME DE ALMEIDA, fui ao “longe dos olhos, longe do coração”, que terminei por emendar: “longe dos olhos (não por demasiado tempo), mais perto do coração”.
***
Faltava dizer o melhor, que é a vitória do amor sobre o mundo que se vê: “os lábios mentem; os olhos vêem; o coração murmura, sente, compromissa-se”.
Não me resigno com a tentativa “revolucionária” anti-SAINT-EXUPÉRY. Suspeito que se trata de mais uma das afecções do burguesismo, sobretudo o das esquerdas, fruto precipitado de quem não leu “Cidadela”, não leu “Terra dos Homens”, não leu “O Vôo Noturno”, e, se leu, não compreendeu “O Pequeno Príncipe”.
Uma estimada amiga, há alguns anos, ressonando a ligeireza das bobagens que se repetem tomando ares, ria porque ria do “Petit Prince”, "livro (dizia-me algo assim) para dez entre dez candidatas a Miss Universo…". Sugeri-lhe, em troca, a imperdível leitura de BERNARDINO MONTEJANO, “Aproximación al Principito” (Buenos Aires, EDUCA, 1999). Nunca soube que o tenha lido: era-lhe mais cômodo fazer rir os auditórios com críticas ligeiras e frases estereotípicas.
Prefiro aqui ficar com o melhor: “Je te regarderai du coin de l’oeil et tu ne diras rien. Le langage est source de malentendus”. (Com a tradução de Dom MARCOS BARBOSA: “Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos”). Essa tradução de Dom MARCOS é magnífica; lembra-me a forte impressão que me causou a passagem “Creio que ele aproveitou, para evadir-se, pássaros selvagens que emigravam” (isso está melhor do que o original: “Je crois qu’il profita, pour son évasion, d’une migration d’oiseaux sauvages”).
E adiante: “…on ne voit bien qu’avec le coeur. L’essentiel est invisible pour les yeux” (: “…só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”; ou numa interessante versão latina: “…animo tantum bene cernimus. Quae plurimi sunt, oculis cerni non possunt”).
Não é pelos olhos, mas pelo coração, que a rosa do Petit Prince será “unique au monde” —“singularem esse”. Foram os olhos que viram, vencedores, a morte do Crucificado? Ou, após e a despeito do que se viu, foi o Amor, foi o Coração Sacro e Ressuscitado que, Amor Infinito, Se vitoriou para todos os tempos? Vitória, Tu reinarás!
Escrito por V-P (nieto) às 12h31
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LABILIDADE-3 (longe dos olhos, longe do coração)
Continuo à volta do mesmo tema.
Numa das postagens anteriores (“LABILIDADE-1”), mencionei (e qualifiquei por) um aforismo “os lábios mentem; os olhos, não…”, que são versos de BOCAGE (1765-1805):
“Eu antes quero Muda expressão; Os lábios mentem, Os olhos não” .
É possível que, com essa enunciação, não seja externamente um “dito popular”. À frase não se refere o nosso CÂMARA CASCUDO, nas “Locuções Tradicionais do Brasil”. Mas no “Dicionário do Folclore Brasileiro”, CASCUDO alista expressões relativas à “linguagem dos olhos”, entre elas esta: “Pelos olhos se conhece quem tem lombriga”, que é uma espécie de popularização jocosa daquela formulação mais romântica da ode bocageana.
***
Outra sentença popular —esta mais conhecida—, referível a “olhos”, é a conhecidamente pessimista “longe dos olhos, longe do coração” (ou, num mais comum enunciado lusitano, “longe da vista, longe do coração”).
Os franceses registram por igual: “loin des yeux, loin du coeur” (: “on ne pense guère à ceux qu’on ne voit plus”).
ALLAIN REY e SOPHIE CHANTREAU entendem que a locução exprime o paralelismo entre as reações fisiológicas (: a percepção) e as afetivas, por meio de uma figura de metáfora espacial. Vislumbram aí uma causalidade mecânica (: do tipo “tal pai, tal filho”).
Recruto LEONARDO CASTELLANI para adversar a trivialidade mecanicista. CASTELLANI ensinou que a interrupção transitória dos hábitos, incrementa-os. Aproveito-me da lição: "longe dos olhos (não por demasiado tempo), mais perto do coração".
Escrito por V-P (nieto) às 11h49
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LABILIDADE-2
Continuo a postagem anterior: estiraçado em meio aos meus livros, folheio o “Messidor”, à cata dos versos que, lá no fim da década de 60, sublinhei, amargo até não sei onde, como se foram um linimento de minha alma.
Não os recolherei aqui todos. Limito-me a uns que marquei com um selo mais forte, mais grifado, mais sulcado, talvez porque, à altura, me dissessem o que eu devia ouvir:
“Ah! Quanto namorado descontente, escutando a palavra confidente, que o coração murmura e a voz não diz,
percebe que, afinal, por seu pecado, tanto lhe falta para ser amado, quanto lhe basta para ser feliz!”
Escrito por V-P (nieto) às 11h20
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LABILIDADE-1
(Ou: “De como tropecei no Messidor”).
1- Terão boas razões para torcer o nariz todos os que esperavam hoje fosse eu escrever aqui sobre o conceito de “labilidade”. Afirmei em separado que o faria. Cheguei a reunir, numa só estante da minha biblioteca, PINATEL, DE GREEFF, CUSSON e a LYGYA NÉGRIER-DORMONT.
2- Hoje acordei com a disposição adequada para redigir umas tantas linhas sobre o tema. Fui à biblioteca e… pimba! Topei no “Messidor”! Agora, estatelado, dissipado, sob os versos do maior dos poetas paulistas, hoje não escreverei acerca da labilidade. Ou, quando menos, dela só darei uma referência casual com a notícia de meu tropicão no “Messidor”.
3- Mas por que tropecei nas poesias de GUILHERME DE ALMEIDA? Essa é outra história. Se quiserem, um de meus traumas biográficos.
4- Eu tinha 15 anos e cursava o 1º Científico num colégio do Estado. Na mesma sala de aulas, estava ali a ***, cerca de dois anos mais velha do que eu e com um namorado, universitário, cinco anos terrivelmente mais antigo do que eu, dono de um carro muito mais veloz do que eu com minhas pernas desajeitadas. Mas eu, eu, por que eu tinha de afeiçoar-me, coração de tímido, a essa namorada do universitário?!
Tratava-a com a distância que me ditavam o respeito merecido e minha costumeira timidez. Nunca lhe disse denunciadora menor palavra, pequenina que fosse, sílaba, iota algum, daquela estima caladíssima e reverente. Choveram muitas chuvas, de gestos diários, assépticos, insuspeitos, distantes, até que um dia, devolveu-me ela um livro que, fazia pouco tempo, eu lhe emprestara. Cardiopatia ingênua, pus-me, para nutrir a desesperança, a folhetear as páginas do livro que essa moça percorrera, e entre elas encontro um bilhetinho, na letra dela, redonda, pedagógica, a letra mais por mim no mundo então conhecida, com um só aforismo: “os lábios mentem; os olhos, não…”.
5- Contorceu-me o pobre miocárdio. Fora eu descoberto sem dizer um som. Três amigos, com quem resolvi confidenciar as dores, aconselharam-me uma conversa franca: ela que abdicasse do universitário! ela que ficasse com meus olhos acusadores! Essa foi a conversa que minha timidez nunca me permitiria, mas que eu não entretive menos por tímido do que por amor à honestidade, à honradez e ao próprio amor. É isso: o amor ao amor exige integridade.
Fui ao “Nós”, fui à “Dança das Horas”, fui à “Suave Colheita” —tudo isso, depois, reunido no “Messidor”—, e lá estava o GUILHERME DE ALMEIDA, o antigo soldado de 32. Vi “o céu chorar a chuva” e desfiei, palavra por palavra:
“Espero-te, pensando: ‘Ela não tarda… Prometeu-me: há de vir… E com que aflitas, longas horas de angústia tu me agitas o coração que, tímido, te aguarda!”.
6- A moça —suspeito— há de agora ser avó. Beirará os 60. Faz quase três décadas que não a vejo. Não me arrependo da conversa que não tive. Julgo ter observado um dever. Mas a lembrança das dores que então amenizei com os versos balsâmeos de GUILHERME DE ALMEIDA, essa recordação é minha história pessoal. Já não posso arrancar os cabelos que não tenho, mas ainda posso juvenilizar a alma com os antigos preceitos de os homens reverenciarem, até a abnegar o próprio coração, a estatura de dignidade e beleza inteira da mulher amada.
Adiante postarei alguns dos versos que li naquele tempo.
Escrito por V-P (nieto) às 11h02
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A VERDADE...
Recomendo aos estimados alunos uma visita ao nutrido sítio "A VERDADE SUFOCADA" (www.averdadesufocada.com).
Depois, tomados os ares, comentaremos sobre as virtudes da investigação histórica.
Escrito por V-P (nieto) às 17h46
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COMUNICADO DA AGÊNCIA FARO
Reproduzo nota da Agência espanhola FARO:
"Lignières, mayo/julio 2006. S.A.R. Don Sixto Enrique de Borbón, con motivo de la festividad de la Santa Cruz, por despacho del pasado 3 de mayo ha realizado diversos nombramientos relativos a la Orden de la Legitimidad Proscrita, fundada por el Rey Don Jaime III en 1923 para que, en tanto durara su destierro, quienes por sus sufrimientos y sus servicios se hicieran dignos, pudieran atestiguar "los derechos que han adquirido a mi gratitud y a la de España, por el ejemplo de fidelidad que han dado a todos". Tras las comunicaciones personales de rigor, la Secretaría Política de S.A.R. y la Cancillería de la Orden nos autorizan a hacer público el despacho. (...............................................) (...) igualmente, deseoso de mostrar mi compromiso con la Hispanidad toda, me ha parecido conveniente agregar a la Orden a los siguientes distinguidos tradicionalistas: al padre José Ramón García Gallardo, al filósofo argentino Rubén Calderón Bouchet, al ex presidente uruguayo Juan María Bordaberry, al magistrado brasileño Ricardo Marques Dip, al profesor colombiano Luis Corsi Otálora, al consejero de Estado también colombiano Alejandro Ordóñez, al profesor chileno Mario Correa y al historiador napolitano Francesco Maurizio Di Giovine".
Escrito por V-P (nieto) às 11h26
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CARTA EMOCIONANTE
A meus estimados alunos, sugiro a cativante leitura da carta que PEQUITO REBELO, o Pai, remeteu a PEQUITO REBELO, o Pequeno (http://tactual.zip.net/).
Escrito por V-P (nieto) às 18h30
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Copiado, com a devida autorização do Dr. PEQUITO REBELO, de seu "blog" TEMPO ACTUAL (http://tactual.zip.net/).
MEMÓRIA DA INSULA AGATHAURICA
(Relato que acaba de remeter-me meu filho PEQUITO REBELO, o Pequeno, e que divulgo como o recebi).
Em homenagem à festividade espanhola de S.FERMÍN, realizou-se, ontem, na Insula Agathaurica, a XXXIX Reunião dos Que Sempre se Reúnem, na Festa de S.Fermín inclusive.
Ao plenipotenciário Ministro SABELOTODÍSSIMO coube, como é da tradição, enunciar a disputatio: se o povo, entre dois males políticos, pode consentir no mal menor. O eminente Ministro explicou a S.A.R., Dom SANCHO I-bis, o Único, que, na longínqua Insula Libidinosa, está instaurado um sistema curiosíssimo de rodízio no poder, de maneira que os sucessores destróem o que os anteriores construíram. Ensinou a S.A.R. que a isso chamam República democrática e informou-lhe que o povo é, periodicamente, convocado para uma espécie de contra-festa ali denominada Conciliábulo de Rousseau.
Vencido o espanto inicial de Dom SANCHO I-bis, o Único, noticiou-lhe o Ministro SABELOTODÍSSIMO que, num próximo Conciliábulo, os habitantes da Insula Libidinosa serão chamados a escolher entre dois já por outros escolhidos. Esses ambos divergem sobre cores de trajes e quejandos da moda, mas concertam suas idéias em que é moralmente possível e juridicamente recomendável o homicídio de crianças não-nascidas. Alguns moradores da Libidinosa, contudo, pessoas tementes de DEUS, não querem eleger nenhum desses já antes escolhidos, e pensam em anular seu voto para não pecar diante de DEUS.
Dom SANCHO segurou o queixo com a mão direita, enquanto a esquerda coçava o topo da cabeça admirada.
Estabeleceu-se a dialética. Os juristas DULCAMARA e PRECARIUM argumentaram, distinguiram, concederam, contradistinguiram, passaram, opuseram-se até mais não poder. E o povo da AGATHAURICA, reunido na XXXIX Reunião dos Que Sempre se Reúnem, na Festa de S.Fermín inclusive, não sabia o que pensar.
Dom SANCHO continuava a segurar o queixo e a coçar, de quando em quando, a discreta calva. Foi quando o arauto RESCLAMAT pediu silêncio e concitou os presentes a ouvir os ditames do Rei.
Sua Alteza aconselhou que todos pedissem as luzes de DEUS. Pôs-se de joelhos, e assim rezou, impetrando o socorro da VIRGEM e dos Anjos da Guarda pessoal e da Insula Agathaurica.
Enfim, perguntou S.A.R., Dom SANCHO I-bis, o Único:
—Quem peca mais? Os que, tendo forçosamente de escolher entre um mal e um mal maior, escolhem o menos mal, ou que, sabendo-o, lavam as mãos e deixam campo livre para a vitória do mal maior? E prosseguiu o Rei: “Pilatos —o Pilatos do Credo— agiu bem?”. Pilatos é o modelo da abstenção, o paradigma da escolha nula…
Escrito por V-P (nieto) às 11h07
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De D. SIXTO ao Papa BENTO XVI
Recolho o texto abaixo de mensagem que S.A.R. Dom SIXTO ENRIQUE DE BORBÓN, depositário da legitimidade dinástica da Monarquia de Espanha, dirigiu ao Pontífice da Igreja, Papa BENTO XVI:
"...donde el problema de la verdad se torna secundario es imposible aprehender el bien, menos aún el bien común. No puede haber ordenamiento político o jurídico humano digno de tal nombre que no se funde en un orden metafísico".
Não me parece caiba retocar um iota, seja a mais, seja a menos.
Escrito por V-P (nieto) às 19h24
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Expressando cabeçadas
No escambo de rápidas mensagens informáticas, entristecidas, entre mim e meu grande amigo o Catedrático do Porto, PAULO FERREIRA DA CUNHA, não se pôde apontar ao certo quem estava a consolar o mais abatido ante a queda do selecionado de futebol de Portugal.
O fato é que, ontem, antes de, com a cabeça inclinada —“caput pronare”—, repetir o gesto milenar dos acabrunhados, balancei-a, num misto de ironia e discordância, gesto clássico denunciado já pelo Rei DAVID (Salmo 22,7), isto porque irritado com a falta máxima assinalada pelo, neste passo, rigidíssimo árbitro JORGE LARRIONDA —nem sempre ornado de símiles critérios quando as faltas eram sofridas pelos atletas lusistas. Relataram-me observadores suspeitos que eu, impaciente, inconformado, perplexo, busquei, coçando a cabeça calva, solução diversa para um golpe mal-destinado de LUÍS FIGO, frente a frente com o inconvincente FABIEN BARTHEZ. Reproduzi, ao que se vê, gestos seculares, cuja explicação universal acabo de referir, calçado no nosso CÂMARA CASCUDO, a ensinar-nos um pouco de tradição.
Escrito por V-P (nieto) às 08h23
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A voz dos egrégios avós!
O Hino nacional português, em que pese à influência revolucionária estampada em seus versos "Às armas, às armas!/Sobre a terra e sobre o mar!/Às armas! Às armas!/Pela Pátria lutar! Contra os canhões marchar, marchar!", possui uma digna reverência inaugural à TRADIÇÃO:
"Heróis do mar, nobre povo, Nação valente, imortal Levantai hoje de novo, O esplendor de Portugal Entre as brumas da memória, Ó pátria sente-se a voz Dos teus egrégios avós Que há-de guiar-te à vitória".
Sugiro aos meus sempre estimados alunos que lhe ouçam a versão cantada em:
http://www.humornanet.com/hm/seleccao/Euro2004/Hino_Portugues.htm
E, se o selecionado lusista se vitoriar, hoje, na lide contra o futebol da Terra de França, vitória que espero do fundo da alma que vivifica o meio sangue lusíada de minhas veias, se Portugal vencer, convido os alunos a que se divirtam com a paródia de um Hino revisto: http://video.worldcupblog.org/videos/FMV4xn2IRjQ/
Escrito por V-P (nieto) às 12h03
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Tradição gestual
Gestos universais, presentes, em nossos dias, “nos momentos de exaltação desesperada: bater com as mãos na cabeça, num autocastigo misterioso à Memória e à Vida, ante a Dor irreparável”, puxar os cabelos, gesto “de desespero, inconformidade delirante, desatino”; outrora, no Antigo Testamento, “protesto moral contras as iniqüidades, injustiças sacrilégios”; coçar a cabeça, “impaciência, inconformação, perplexidade” (CÂMARA CASCUDO, na “História dos Nossos Gestos”).
Ontem, ia em meio a prorrogação do combativo jogo de futebol entre Itália e Alemanha: Alberto Gilardino atira uma bola na trave esquerda do goleiro teutônico e logo leva às mãos à cabeça; pouco depois, Lukas Podolski usa desajeitadamente a cabeça para lançar mal uma bola que transitava pela área italiana; o gesto das mãos à cabeça difunde-se a seguir: Podolski e Michael Ballack o externam (veja-se a foto abaixo divulgada ontem em vários sítios).

Escrito por V-P (nieto) às 11h52
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Brasil vs. França (dói a cabeça)
Foi na companhia de um grande amigo e notável jurista, um irmão fiduciário, que vi o futebol brasileiro despedir-se à francesa da Copa de 2006. Se descortesia houve em nossos atletas saírem “en cachette”, isso não foi, decerto, por culpa da recepção principalesca de Zizou. Mas não quero aqui falar de saídas menos corteses. Quero agora falar de gestos relativos à cabeça.
Isso porque esse meu referido amigo, mal acabava o jogo, metera as mãos sobre a cabeça. Eu vi, meus alunos, eu vi. Como também vi, pela televisão, um outro torcedor abaixando a cabeça, um terceiro a penduleá-la, um técnico a coçá-la, o inglês Frank Lampard desalinhando-lhe a cobertura (a da própria, não a do técnico), o argentino Esteban Cambiasso na ameaça de arrancar o resto de seus cabelos.
Eu próprio —cativado pela requintada anfitrionia desse meu irmão e de sua magnífica JUJU (a servirem-me, não sem certa adivinhável dose de ironia, um sapientíssimo tinto ARGENTINO…)—, eu próprio, ao largo do jogo, também assanhei os cabelos que não tenho.
Aí, nesses exemplos catados às pressas, recolho uma tradição gestual, tradição a cujo inquérito de significado estamos por agora, neste “blog”, a inclinar-nos. “Abanar a cabeça”, “cabeça oscilante”, “coçar a cabeça”, “puxar os cabelos”, “mãos na cabeça”, “curvar a cabeça”, “baixar a cabeça”, “assanhar o cabelo”, “bater na testa”, “cabeça balançando no bailado”: temas todos a que se dedicou nosso CÂMARA CASCUDO.
A esses pontos voltarei em próxima postagem.
Escrito por V-P (nieto) às 08h50
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