VICTOR PRADERA (nieto)


FELIZ NATAL!


Aos generosos leitores deste "blog", especialmente aos meus alunos, impetro a DEUS um Santo Natal.

Deixo aqui uma advertência:

É comum que, na época do Natal, surjam concertadas distorções da verdade cristã: o ódio do mundo contra JESUS CRISTO parece que se torna mais encarniçado e visível. Não há ano ou quase não o há em que, nas imediações do Natal, a pretexto de novas descobertas (quase sempre requentadas), grandes órgãos mediáticos deixem de anunciar que JESUS era um líder político, um sacerdote essênio, (ultimamente até) o primeiro de quatro ou mais irmãos...

Peçamos a DEUS a perseverança na virtude da Fé para que, com nossos pobres modos e indigência, possamos desagravar com caridade as contínuas afrontas à Verdade que é CRISTO, Nosso Senhor.

FELIZ NATAL, meus bons amigos. E rezem por mim.



Escrito por V-P (nieto) às 12h11
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O ABORTO (um artigo de CORÇÃO)

Há uma página magnífica (estupenda como tantas e tantas que ele escreveu) em que GUSTAVO CORÇÃO trata do aborto. Recolho dali um excerto (vale a pena ler):

"Por falar em aborto, ouvi dizer que na Suíça tornou-se legal. Não sei detalhes. Não sei em que circunstâncias, pelos quatro cantões da Suíça, tornou-se admissível matar a criança que teve a impertinência de brotar num ventre de moça. Imagino que os suíços, que são reconhecidamente um povo ordeiro e asseado, e sobretudo muito deferente com os turistas, tenham descoberto excelentes razões para assassinar pequeninos suíços. Uma das razões que imagino seria a seguinte: mata-se a criança excedente pelo bem da pátria e da família. Um pouco como se queima o café, para valorizá-lo. De uma senhora, que tem um Pontiac verde-claro, já ouvi dizer que se justifica 'não guardar' para manter o 'padrão de vida'. Não se guarda a criança para guardar-se o Pontiac. Outra senhora, um pouco menos desvairada, alega que fuzila a criança não nascida em benefício das outras já nascidas.

Esses argumentos chegaram aos ouvidos de meu amigo Álvaro Tavares que sugere uma emenda para a teoria dessa senhora que mata um filho em benefício dos outros: admitido que se deva matar um para benefício da família e da sociedade, devemos deixar a criança nascer, e, mais tarde, num conselho de família, escolher a criança mais feia, ou mais bronca na tabuada, ou mais birrenta na mesa, e então executá-la para o maior bem da família e da pátria.

Concordo inteiramente com essa emenda apresentada pelo meu amigo Álvaro Tavares. Em nome da psicologia, da sociologia e da eugenia, acho precipitada a pena de morte que recai sobre a 'criança desconhecida'. O mundo, entre seus momentos de prolongado desvario, já teve a idéia de honrar o soldado desconhecido; mas nos seus piores momentos ainda não teve a idéia de fuzilar um criminoso desconhecido. E muito menos um desconhecido inocente. Aprovo pois a emenda e aqui acrescento o meu pesponto. Em lugar do conselho de família, eu sugiro que consultem um psicotécnico.

Voltando aos suíços, confesso que não me espantei demais com a notícia. Tenho desconfiança desses países muito ordeiros, muito arrumados. Tenho horror a hotéis. Só me espanto com uma incoerência que vejo nessa lei dos suíços: se a religião daquele pitoresco país é o turismo, se tratam tão bem os que chegam das Américas, porque diacho maltratam assim o pequenino turista que ingressa num dos quatro cantões pela mais antiga das portas?" ("Os que não foram consultados").

Escrito por V-P (nieto) às 11h54
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LEMBRANDO (com saudade) DE CORÇÃO


Ontem recebi um telefonema de meu amigo Dr. A*** R*** G***, autorizado Promotor Público.

A agradável conversa desembocou no entre nós comungado reconhecimento de que o maior literato brasileiro foi o grande GUSTAVO CORÇÃO, a quem conheci no Cosme Velho, em 1976.

Copiei-lhe uma fotografia do sítio da "Permanência":





Escrito por V-P (nieto) às 11h44
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NÂO SOU NACIONALISTA. SOU PATRIOTA.

Por que recuso ser nacionalista e me afirmo, isto sim, PATRIOTA?

O termo “nacionalismo” é moderno. Surgiu na última década do século XVIII e prestigiou-se, ao largo do século XIX, após a enunciação do “princípio das nacionalidades” (: cada nação há de corresponder a um Estado; remeto-me, 'brevitatis studio', ao autorizado “Dicionário de Política” de GALVÃO DE SOUSA, CLOVIS LEMA GARCIA e FRAGA TEIXEIRA).

A idéia trivial de “nacionalismo” é, pois, ao que se avista, um fruto revolucionário: ela já não se vincula à noção de comunidade cultural, moral e espiritual (que era o conceito medievo de nação), mas, isto sim, ao somatório de indivíduos cuja vontade se expressa para configurar a “vontade nacional”. Hoje, uma, amanhã, outra. Liberalismo "tout court".

Não surpreende que os nacionalismos celebrizados no século XX hajam sido o fascista italiano e o socialista alemão.

Coisa diversa é o patriotismo, que é fruto da lei natural: “Ama-se a Pátria na mesma linha do amor à própria família. Porque nela [na Pátria] palpitam sentimentos comuns traduzidos em laços que prendem as pessoas por habitarem o mesmo chão, falarem a mesma língua, defenderem a mesma cultura, viverem a mesma história” (GS, CLG e FT, op. cit., p. 409).

Recruto desses autores:

“Todo um patrimônio espiritual, constituído pelas gerações que se vão sucedendo, torna a Pátria um lar comum, onde as lutas, as dores, as alegrias, testemunham um amor em que mesclam respeito e veneração, gratidão e sacrifício, dedicação e imolação”.

“Prolongamento da família, a Pátria fraterniza as pessoas, que sentem, mais do que percebem, a importância de manter vivo o ideal de assegurar, proteger e engrandecer a terra do próprio nascimento…”.



Escrito por V-P (nieto) às 12h02
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DIÁLOGO INTERPELANTE

Ontem à noite, 21-12, ao lado do Dr. G***, numa pizzaria de A*** (local insólito para semelhante diálogo), assistimos ambos a um interessante colóquio entre o Dr. P*** K*** e nosso amigo RD, versando um tema fundacional: há verdades absolutas em matéria política e jurídica?

Opuseram-se as teses: de uma parte, desfiou-se a liberdade ou indiferença do cristão em aceitar doutrinas políticas ou jurídicas. Em outros termos, como é frase conhecida da década anterior: “em política não há dogmas”. De que segue, o “bom cristão” pode ser, em política, o que bem entender, porque o Reinado de Cristo não ultrapassa as fronteiras da vida interior das almas. Não se lê mesmo no Evangelho que o reino de Cristo “non est de hoc mundo”? Logo, Seu Reinado, sobrenatural, não afeta competências políticas e jurídicas. O mundo, nessas circunstâncias, é um extraterritório do Reino cristão.

De outra parte, RD entende que peca de relativismo a orientação anterior, que, com alguma impiedade, ele designa por “deísmo social”. Para RD, quando o Novo Testamento assevera que o Reino de Cristo “non est de hoc mundo” está a significar a origem sobrenatural do Reinado. Sem referir, pois, problemas de lindes de território ou competenciais. De não ser assim, prossegue o juízo de RD, inócua seria esta outra sentença de Jesus: “todo poder me foi dado no céu e na terra”. RD opõe-se, portanto, ao indiferentismo político-jurídico de certas correntes cristãs e remata, aderindo à meta do Reinado social de Cristo, com a afirmação de que há verdades absolutas no âmbito da política e do direito.

Não palpitarei sobre esse debate.


Escrito por V-P (nieto) às 11h01
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Animus hostilis?


Apenas divulguei, sem mau espírito (ou quando menos, com o só e venialíssimo pecadilho de um gracejo) o termo "DESEMBARGADEIRAS" para atender o intuito de manter-me fiel à propriedade dos termos: convenci-me de que não há verdadeiros sinônimos. Um só vocábulo pode referir-se às ilustres mulheres dos desembargadores: desembargadeiras.

Já soube de algum mal-estar entre elas e até mesmo do perigo gravíssimo de alguma sua rebelião. Isso é temível: sempre me acrescenta a paixão do medo conjecturar que eu, num repente de doméstica revolta feminil, passe a comer comida desprovida de todo sal ou a sofrer (eu, não a comida) a intransigente recusa de ver meus botões pregados, e minhas camisas, limpas.

Já houve tempo, "hélas", em que me arreceei, numas situações símiles, de ver rediviva a greve aventada por Aristófanes.




Colhi o termo, porém, digo-o com fidelidade canina (i.e., cínica), o tido por impiedoso vocábulo numa fonte de todo autorizada: SOUSA LAMY ("Advogados na Literatura e na Sabedoria Popular", Lisboa, 2001, vol. I, p. 377):

"No Brasil: Desembargadeiro é o relativo ou pertencente ao desembargador ou à sua família; Desembargadeira é a mulher do desembargador". VALE!

E incluo por agora esta curiosidade: "A Ordenação interditava aos desembargadores agasalhar hóspede em sua casa" (id.).




Escrito por V-P (nieto) às 11h12
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Pescando num livro de EDUARDO VIOTTI

Ofereceu-me interessante livro seu autor EDUARDO VIOTTI, irmão do culto Desembargador AROLDO VIOTTI.

A páginas tantas dessa obra, encontrei o registro de que certa coisa corpórea possui alguns ácidos (p.ex., cítrico, tartárico, málico, succínico) além de álcool e tanino, para que essa coisa "POSSA ENVELHECER COM DIGNIDADE".

Sei de estudos anteriores que o homem, composto pessoal de alma e corpo, é, enquanto corpo, partícipe das propriedades dos entes corpóreos.

De que segue a conclusão, quando menos muito possível para não dizer probabilíssima, de os ácidos (cítrico, tartárico etc.), o álcool e o tanino servirem para o homem "ENVELHECER COM DIGNIDADE".

Ora, a certa coisa corpórea a que se referiu EDUARDO VIOTTI, no de leitura recomendável "Guia dos Vinhos Brasileiros" (ed. Market Press, S.Paulo, 2005), coisa corpórea que reúne uns tantos ácidos, álcool e tanino, é exatamente o VINHO.

"Ergo", o VINHO servirá para o HOMEM envelhecer com dignidade.

A essa conclusão lógica (vá lá, dialética) ajunto uma fronteira moral que bem resumiu o grande CHESTERTON, nas imperdíveis páginas da "Ortodoxia": "we should thank God for beer and Burgundy by not drinking too much of them".

E, pois, pelo temperado abeberamento de cítricos, tartáricos, taninos etc., "thank God". E que DEUS me permita envelhecer (i.e., seguir a avelhantar) com dignidade.

Escrito por V-P (nieto) às 10h47
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Uma cópia para quem queira


O Desembargador Ricardo Dip fez extrair cópias de seu estudo publicado na revista Verbo, de Madrid, e pode remeter uma delas (é claro que gratuitamente) a cada um dos que quiserem conhecer o texto. Basta que peçam, aqui mesmo em comentário a esta postagem, e indiquem um local para a remessa.



Vejam que este "blog", já não bastasse a incessante intervenção do RD, parece estar a converter-se numa caixa postal para uso de terceiros, o Desembargador inclusive.

Escrito por V-P (nieto) às 18h31
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Ora bolas


Meus alunos, passarei de agora em diante a recusar as postagens que me vai pedindo ou influenciando o RD. Ora bolas, se ele quiser postar alguma coisa, que o faça por meio de comentários ou, se achar melhor, que crie um "blog", em vez de se ficar valendo de meu sítio eletrônico.

Ponto e basta.



Escrito por V-P (nieto) às 09h49
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Discurso de patrono (RD)


Eu, que nunca fui patrono nem paraninfo (o máximo a que cheguei foi à função de substituto "in extremis" de um padrinho que, certa vez, embriagado, não chegou a tempo para uma cerimônia de casamento civil), tenho o gosto de publicar a seguir o texto do discurso lido, ontem, por RD, oficiando ele na honrosa condição de Patrono de uma Turma de alunos que, ele próprio me confidenciou, lhe deixa muita saudade:



"É voz corrente em nossos tempos a necessidade de uma recuperação moral da cultura brasileira. Não se trata só do reclamo generalizado por uma revitalização ética das elites políticas nacionais, senão que de uma profunda e mais ampla retomada moral a atingir todo o corpo e a alma da sociedade brasileira.

Também a Universidade é palco dessas exigências. Faz pouco mais que 30 anos, as academias, sediando reconhecida autoridade do saber, influíam decisivamente na vida política nacional. Substituída, porém, pela oscilante influência opinativa da grande imprensa, a Universidade viu reduzir-se continuamente seu papel exemplar na organização política brasileira.

Recuperar o valor social da Universidade passa pela reconquista da essência da missão que lhe foi às origens acometida, qual a de reunir mestres e alunos para juntos aprenderem os saberes, como o disse solidamente ALFONSO IX. E aprender os saberes é reconhecer e buscar a Verdade, meta final e decisiva de afeição à realidade das coisas sem a qual não se justifica moralmente a existência da Universidade.

Recuperar eticamente o Brasil passa também pela reconquista da Verdade, de sua essência genuinamente cristã, esse cristianismo que gestou nossa terra e nossa gente séculos afora. Desertado que esteja de nossos Maiores, abdicado do patrimônio da Cristandade, o Brasil degenera no redemoinho de ideologias perversoras. Perdeu a referência da Verdade. Desordenou-se a ação nacional.

Mais uma vez a generosidade de meus alunos foi além, muito além de meus pequenos méritos. Agraciam-me com o patronato. E eu, o mais que pude já fazer por eles, foi conclamá-los, como o fez EXUPÉRY, à construção de uma torre, à ampla reconquista intelectual e moral que tarda.

Um País forte demanda um povo forte. Um País intelectual e moralmente forte exige um povo intelectual e moralmente reto.

Meus alunos, a sorte dessa reconquista parece-me estar nas mãos das gerações jovens. Seu velho professor já ostenta anciania demasiada para esperar o Brasil com que sonhou em sua mocidade. Mas confia, ao menos, e isto o gratifica e honra, em que seus alunos não desertarão, sob a tirania do relativismo, do combate heróico pela Verdade. Sou-lhes grato, por tudo isso e muito mais, sou-lhes muito grato".





Escrito por V-P (nieto) às 09h43
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Jusnaturalismo: um estudo de Ricardo Dip


A revista VERBO, de Madrid, acaba de publicar (n. 437-438) um estudo de nosso amigo Ricardo Dip, com o título "Iusnaturalismo y 'iusnaturalismos': Brasil entre la identidad patria y el anonimato".







Na foto, tirada logo após a posse solene de 3 de fevereiro de 2005 no Tribunal de Justiça de São Paulo, vêem-se as imagens do Desembargador Ricardo Dip, das desembargadeiras (isso não é impiedade: assim devem designar-se as mulheres dos desembargadores) Regina Dip e Muriana Viotti, e do ilustre Desembargador AROLDO VIOTTI.



Escrito por V-P (nieto) às 09h31
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