VICTOR PRADERA (nieto)


A queda de umas estantes


Conspiraram as circunstâncias, acarretando-me momentânea estiagem laboral. Aproveito-me disso: "auxiliante Domino", estarei cerca de um par de dias na agora "veraniega" San Carlos de Bariloche.

Levo na pequena bagagem as grandes "Confissões" de S.AGOSTINHO.

Tentarei postar desde lá.





Escrito por V-P (nieto) às 17h17
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Retificando...

Do "Painel" de hoje, 7-1-,2006, da "Folha de S.Paulo":

Aborto e tartarugas
"Em referência às notas "Mundo animal 1" e "Mundo animal 2" ("Painel", Brasil, pág. A4, 6/1), as frases retiradas do contexto deixaram dúbia a idéia exposta. O cerne do meu artigo "O Projeto Matar e o Projeto Tamar: o Aborto", publicado no site da OAB-SP, é o seguinte: se alguém destruir apenas um único ovo de tartaruga, comete crime contra a fauna, espécie de crime contra o ambiente (lei nº 9.605/93). O projeto que pretende descriminalizar o aborto, o projeto matar, dá mais importância à vida das tartarugas do que a do ser humano. Da forma como estava na nota "Mundo animal 2", fica parecendo que estou propondo a descriminalização da destruição de ovos de tartaruga, no entanto a frase tem mais um sabor de ironia."
Cícero Harada, conselheiro da OAB-SP (São Paulo, SP)


Escrito por V-P (nieto) às 17h10
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Uma polêmica sobre o aborto


Está a divulgar-se na internet uma polêmica entre, de um lado, o Procurador de Estado CICERO HARADA e, de outro, Professora aposentada pela UNESP, a Socióloga HELEIETH SAFFIOTI.

Chama-me a atenção o início da carta com que a Professora SAFFIOTI adversa o Procurador HARADA:

“Em primeiro lugar, nós, mulheres, não somos tartarugas. Tampouco as mulheres feministas. Não somos pró-aborto como método contraceptivo”.

Confesso minha perplexidade: nunca soube, em toda minha vida, que alguém poderia valer-se do aborto como método contraceptivo: averbo que não entendo como pode abortar-se um ser ainda não-concebido.


Escrito por V-P (nieto) às 11h36
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Recte dicit

Decoto do "Painel" da "Folha de S.Paulo" de hoje, 6-1-2006:

"Mundo animal 1
Conselheiro da OAB-SP, Cícero Harada causou barulho ao publicar artigo anti-aborto no site da entidade dizendo que o feto humano tem direito à mesma proteção dos ovos de tartarugas do Projeto Tamar.

Mundo animal 2
"Se alguém destruir algum ninho, comete crime contra a fauna. Já na Câmara tramita projeto que pretende legalizar o aborto. [...] Será necessário descriminalizar o aborto de ovos de tartaruga", escreve Arada (sic)".




Escrito por V-P (nieto) às 11h11
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MEUS ALUNOS, AGENDEM


CLOVIS LEMA GARCIA, Presidente do Centro de Estudos de Direito Natural "José Pedro Galvão de Sousa" -entidade que congrega pensadores brasileiros, sul-americanos e da Europa geográfica- transmitiu-me a programação (prevista) de conferências referente ao ano de 2006.

É, em princípio, posta a salvo alguma retificação posterior, a seguinte:

1. 25 de março: Sociedade, Nação e Estado –Professor Dr. CLOVIS LEMA GARCIA

2. 29 de abril: A Sociedade Política perante a Ordem Natural e a Ordem Sobrenatural –Des. RICARDO DIP

3. 27 de maio: O Bem Comum e a Legitimidade do Poder Político –Juiz VICENTE DE ABREU AMADEI

4. 24 de junho: Autoridade e Liberdade: a Limitação do Poder Político e o Princípio de Subsidiariedade –Advogado Dr. JAQUES DE CAMARGO PENTEADO

5. 26 de agosto: Representação Política – Professor Dr. CLOVIS LEMA GARCIA

6. 30 de setembro: Formas de Governo, Formas de Estado e Sistemas de Governo –Juiz JOSÉ ANTONIO PAULA SANTOS

7. 28 de outubro: Regimes Políticos e Ideologias – Juiz VICENTE DE ABREU AMADEI

8. 25 de novembro: As Constituições Políticas Brasileiras –Des. RICARDO DIP




Acaba de informar-me o Dr. CLOVIS LEMA GARCIA, Presidente do Centro de Estudos de Direito Natural "José Pedro Galvão de Sousa", que, à vista de oportunas e pontuais indicações do Juiz Vicente de Abreu Amadei e do Des. Ricardo Dip, expedirá certificados para os alunos que participarem de, ao menos, cinco das oito conferências programadas.

Escrito por V-P (nieto) às 10h10
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UMA CASA PORTUGUESA (sqq.)


Alguém de Dom BOSCO dirá que foi conformista, que não se consagrou exatamente aos meninos mais necessitados, aos que vadeavam, miseráveis, pelas ruas de Turim? Alguém desconhecerá as graves privações econômicas desse JOÃO BOSCO, órfão de pai quando ainda sequer completara dois anos de idade?

Mas esse BOSCO talvez não se descreva melhor pelas dificuldades materiais por que passou ou por sua persistência teimosa na incansável ajuda aos necessitados (era um homem que dizia: "Eu lhe quero tamanho bem que, se um dia tivesse somente um naco de pão, eu lhe daria a metade").

JOÃO BOSCO pode, antes disso, descrever-se, assim penso eu, a contar de sua imensa ALEGRIA.

Uma alegria que era fruto das virtudes. Como o resumirá um de seus alunos, DOMINGOS SÁVIO, é "o pecado o que nos furta a alegria do coração".

Paciência nas tribulações. Consciência de que, imagens de DEUS, havemos de conduzir-nos como atletas do Bom Combate.

Isso não é conformismo com o mundo e suas injustiças. É bem o adverso disso.

Se nos convencem de que a alegria depende da suficiência (ou mesmo da abundância) de bens materiais, já nos derrotaram: somos então e ao fundo materialistas.

Não temos mais uma casa à portuguesa.


Escrito por V-P (nieto) às 19h45
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UMA CASA PORTUGUESA

(Complementando uma resposta a comentário de ELD).

A cosmovisão lusíada, em verdade, nada tem a ver com o burguesismo e o avesso do burguesismo, essas deformidades que se avistam nos materialismos.

Veja-se isto na letra abaixo, de REINALDO FERREIRA, para "Uma casa portuguesa", conhecido fado, cuja melodia é de V.M.Sequeira e Artur Fonseca. (Pus em caixa alta os excertos que melhor se destinam ao ponto ora versado).

"Numa casa portuguesa fica bem
pão e vinho sobre a mesa.
Quando à porta humildemente bate alguém,
senta-se à mesa co'a gente.
Fica bem essa franqueza, fica bem,
que o povo nunca a desmente.
A ALEGRIA DA POBREZA
ESTÁ NESTA GRANDE RIQUEZA
DE DAR, E FICAR CONTENTE.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho a alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!

NO CONFORTO POBREZINHO DO MEU LAR,
HÁ FARTURA DE CARINHO.
A CORTINA DA JANELA E O LUAR,
MAIS O SOL QUE GOSTA DELA...
BASTA POUCO, POUCOCHINHO P'RA ALEGRAR
UMA EXISTÉNCIA SINGELA...
É só amor, pão e vinho
e um caldo verde, verdinho
a fumegar na tijela.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho a alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!"



Escrito por V-P (nieto) às 19h18
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Entrevista do Desembargador Ricardo Dip


Indico aos alunos a leitura de entrevista do Desembargador Ricardo Dip, do Tribunal de Justiça de São Paulo, no Boletim Eletrônico do IRIB n. 2241 (cfr. http://www.irib.org.br/notas_noti/boletimel2241.asp).




Escrito por V-P (nieto) às 15h04
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Ainda para o livro das férias

Ao tratar, em autorizada obra, sobre o problema da educação na história do pensamento, M.F.SCIACCA invocou um texto dos “Solilóquios” de S.Agostinho que sumaria uma parte relevante do núcleo de sua filosofia.

A Agostinho indaga-lhe a Razão: “Que pretendes conhecer?”. Responde Agostinho: “Deus e a alma desejo conhecer”. Nova pergunta da Razão: “Nada mais?”. E Agostinho remata: “Nada mais”.

Comenta SCIACCA: para Agostinho, pôs o problema do homem é, simultaneamente, pôs o problema de DEUS.

* * * * *

Esse critério fundamental não só deve guiar-nos na compreensão das “Confissões” agostinianas, mas, num excurso que julgo convir, afasta-nos de uma freqüente, em nossos tempos, tentação de monotonia.

A aparência de monotonia nas coisas diárias é, ao fundo, a comporta fechada ao “velocismo” do pensamento infantil a que quadra o burguesismo adulto como, entre outros, fez ver W.SOMBART.

Se, ao revés, tomamos constante e mais agudamente a consciência de que o “nosso” problema humano é já um problema de DEUS, de que somos feitos à imagem e semelhança, sob cuja Providência nos encontramos, já não há espaço para a tristeza da monotonia.

De fato, o que parece repetitivo e modorro —isso é a ficta aparência diabólica das coisas— é já, freqüentemente, grandioso: a própria miséria de nossos pequenos atos traz ínsita uma grandeza notável.

Pode avaliar-se rotineiro, monótono, o nascer e pôr do sol? Quem não tem disso um exemplo de sublimidade quando o contempla em uma praia ou do alto de um “cerro”?

Como pode ser triste e monótona a vida de quem se sabe “imago Dei” e põe na observância de seus deveres uma razão de viver? E seria possível que o “bem viver” gerasse tristeza?


Escrito por V-P (nieto) às 10h24
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ONDE ANDAM MEUS ALUNOS?


Este "blog" atua como se fora, guardadas as distinções, um oratório: é um ponto de encontro e reunião de meus alunos com este seu velho e pequeno professor. E eis que eles, os alunos, somem daqui faz um par de dias. Preocupa-se o velho camponês, cujo temor adivinhável é o de não ter a quem legar suas pobres meditações. No fim de contas, nestes dias, onde andam meus estimadíssimos alunos?

Escrito por V-P (nieto) às 09h27
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O LIVRO DAS FÉRIAS


Já concedido excessivo repouso aos feixes de acomodados neurônios (o que no meu caso é sempre temível pela dificuldade de recuperação), é hora de começar a prometida tarefa de IR ÀS FONTES.

A leitura concertada é a das "Confissões" de S.AGOSTINHO.


*****

Comcecemos por uma breve referência biográfica sobre o autor:

"Nascido em Tagasta, no norte da África, em 354, Agostinho, instruído em criança pela mãe — Santa Mônica — no credo cristão, sem embora receber o batismo, foi empolgar-se, no entanto, pela busca da verdade, a que se dedicaria ao largo de toda vida, ao ler um diálogo de Cícero (Hortensius). Estava então Agostinho em Cartago, inclinado a prazeres mundanos, mas, tratando de encontrar a sabedoria, pareceu-lhe mostrá-la o credo do maniqueísmo (= em suma, uma seita religiosa materialista, fundada por Manes ou Mani, que sustentava a dualidade de co-eternas Pessoas Divinas: um Deus do bem e um Deus do mal), a cuja defesa se lançou, combatendo o cristianismo. Por não encontrar, contudo, respostas racionais entre os maniqueístas, Agostinho, ao chegar em Roma, no ano 383, para lecionar Retórica, continuando sua busca tenaz pela sabedoria, se dispôs a ouvir, em Milão, as pregações de Santo Ambrósio, sem, entretanto, libertar-se do ceticismo atenuado com que se influíra da leitura de Cícero. Aproximou-se então da Metafísica, sobretudo por meio de Plotino (Enéadas), libertando-se do mitigado ceticismo ciceroniano e afastou-se de vez do materialismo maniqueísta, julgando a filosofia platônica superior às demais que conhecia. Foi lendo as Epístolas de São Paulo, porém, que Agostinho se converteu, em 386, à fé cristã, conversão por que tanto havia chorado e implorado sua mãe. Começava então a grande carreira do escritor cristão, de quem se dirá que foi o “ponto culminante da Patrística” (Gilson-Böhner), o pensador com cujo nome se indicará, por antonomásia, essa escola filosófica: “Agostinho” — disse Johannes Hirschberger — “é a Patrística”. Entre suas numerosíssimas obras (v.g., Da Imortalidade da Alma, Contra os Acadêmicos, Do Livre Arbítrio, Da Verdadeira Religião, Da Doutrina Cristã, Do Mestre, Da Trindade) — e cabe assinalar o fato de que Denis Huisman, no Dictionnaire des mille oeuvres clés de la philosophie, alista nada menos, entre elas, seis obras de Santo Agostinho —, dois de seus livros, Confissões e A Cidade de Deus merecem destaque especialíssimo na História do pensamento universal. Daquele, das Confissões, disse Etienne Gilson, que se trata de “um livro único do qual cada uma das páginas tem o frescor e o sabor da vida”. Mas é em A Cidade de Deus que o pensamento de Agostinho alcança — em palavras de Guillermo Fraile — “máxima elevação”, com uma obra que, amadurecida ao longo de treze anos (413-426), é “um dos livros que mais profunda influência exerceu na Idade Média”. Agostinho ordenou-se sacerdote em 391, consagrou-se bispo (primeiramente auxiliar) de Hipona em 395-6 e ali morreu no dia 28 de agosto de 430, quando a cidade estava assediada pelos vândalos" (extraído de uma obra de FERREIRA DA CUNHA e Outro)

Escrito por V-P (nieto) às 09h22
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