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Resposta a uma objeção
Guerrearam-me em apartado as afirmações de que cabelos largos não são próprios dos homens e, antes, são glória feminil, um seu troféu estético (cfr. abaixo).
Não quero trasladar, anacronicamente, textos que, acaso, tenham seu tempo oportuno. Mas o que disse acerca de os cabelos compridos não serem propícios aos homens e, ao revés, fazerem a mulher mais bela e feminina, antes de mim o dissera S.PAULO apóstolo em I Coríntios, 14-15:
"14. A própria natureza não vos ensina que é uma desonra para o homem usar cabelo comprido? 15. Ao passo que é glória para a mulher uma longa cabeleira, porque lhe foi dada como um véu".
Não nos olvidemos, em acréscimo, que a ordem da graça e da sobrenatureza não contrasta com a física.
Escrito por V-P (nieto) às 19h18
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Quem milagres quer achar
...ou notas boas tirar...
Éramos ambos meninos. De sete ou oito anos. Naquele tempo, era tempo de menino usar calças curtas. E cabelos aparados. Cabelos largos, sabia-se então, é glória das mulheres, é um troféu estético que mais as encanta e feminiliza por certo. Íamos às lições do catecismo do Padre Eugênio, na Achiropita, em São Paulo. Havia entre esses meninos uma diferença, contudo: meu amigo era parente, vim a sabê-lo, de um grande santo, a cuja imagem, na Igreja, acorriam as mais belas meninas da escola. Era ali o que bastava a meu zelo.
Nascido no século, fez-se religioso; de Fernando, tornou-se Antonio; abdicou do patronímico Bulhões e deixou a Alfama lisboeta. Quase se apelidou Pádua, tanto assim o designam, e universalizou-se.
Aos meninos ensinaram uma ladainha, que ambos sabemos de cor. Valho-me dela das grandes às pequenas necessidades. Ensino-a a meus amigos, tal como a conservei:
“Quem milagres quer achar/contra os males e o demônio,/busque logo a Santo Antonio/que aí os há de encontrar./Aplaca a fúria do mar,/tira os presos da prisão,/ao doente torna são,/ao perdido faz achar./E sem respeitar os anos,/socorre a qualquer idade./Abonam essa verdade/os cidadãos paduanos”.
Patrono do Exército brasileiro. Santo casamenteiro (“Certa vez numa oração,/fui pedir a São João/que me desse um matrimônio./São João disse que não,/São João disse que não,/isso é lá com Santo Antonio”), dele contou meu amigo, o velho que foi menino, haver, em Morélia, México, um restaurante, “El Miguelito”, repleto de estatuetas do grande Antonio num cantinho chamado de “Rincón de las Solteronas”.
Hoje é dia de Santo Antonio! Os dois antigos meninos continuam amigos. Um deles, parente dos Bulhões lisboenses.
Escrito por V-P (nieto) às 08h43
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