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De D. SIXTO ao Papa BENTO XVI
Recolho o texto abaixo de mensagem que S.A.R. Dom SIXTO ENRIQUE DE BORBÓN, depositário da legitimidade dinástica da Monarquia de Espanha, dirigiu ao Pontífice da Igreja, Papa BENTO XVI:
"...donde el problema de la verdad se torna secundario es imposible aprehender el bien, menos aún el bien común. No puede haber ordenamiento político o jurídico humano digno de tal nombre que no se funde en un orden metafísico".
Não me parece caiba retocar um iota, seja a mais, seja a menos.
Escrito por V-P (nieto) às 19h24
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Expressando cabeçadas
No escambo de rápidas mensagens informáticas, entristecidas, entre mim e meu grande amigo o Catedrático do Porto, PAULO FERREIRA DA CUNHA, não se pôde apontar ao certo quem estava a consolar o mais abatido ante a queda do selecionado de futebol de Portugal.
O fato é que, ontem, antes de, com a cabeça inclinada —“caput pronare”—, repetir o gesto milenar dos acabrunhados, balancei-a, num misto de ironia e discordância, gesto clássico denunciado já pelo Rei DAVID (Salmo 22,7), isto porque irritado com a falta máxima assinalada pelo, neste passo, rigidíssimo árbitro JORGE LARRIONDA —nem sempre ornado de símiles critérios quando as faltas eram sofridas pelos atletas lusistas. Relataram-me observadores suspeitos que eu, impaciente, inconformado, perplexo, busquei, coçando a cabeça calva, solução diversa para um golpe mal-destinado de LUÍS FIGO, frente a frente com o inconvincente FABIEN BARTHEZ. Reproduzi, ao que se vê, gestos seculares, cuja explicação universal acabo de referir, calçado no nosso CÂMARA CASCUDO, a ensinar-nos um pouco de tradição.
Escrito por V-P (nieto) às 08h23
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A voz dos egrégios avós!
O Hino nacional português, em que pese à influência revolucionária estampada em seus versos "Às armas, às armas!/Sobre a terra e sobre o mar!/Às armas! Às armas!/Pela Pátria lutar! Contra os canhões marchar, marchar!", possui uma digna reverência inaugural à TRADIÇÃO:
"Heróis do mar, nobre povo, Nação valente, imortal Levantai hoje de novo, O esplendor de Portugal Entre as brumas da memória, Ó pátria sente-se a voz Dos teus egrégios avós Que há-de guiar-te à vitória".
Sugiro aos meus sempre estimados alunos que lhe ouçam a versão cantada em:
http://www.humornanet.com/hm/seleccao/Euro2004/Hino_Portugues.htm
E, se o selecionado lusista se vitoriar, hoje, na lide contra o futebol da Terra de França, vitória que espero do fundo da alma que vivifica o meio sangue lusíada de minhas veias, se Portugal vencer, convido os alunos a que se divirtam com a paródia de um Hino revisto: http://video.worldcupblog.org/videos/FMV4xn2IRjQ/
Escrito por V-P (nieto) às 12h03
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Tradição gestual
Gestos universais, presentes, em nossos dias, “nos momentos de exaltação desesperada: bater com as mãos na cabeça, num autocastigo misterioso à Memória e à Vida, ante a Dor irreparável”, puxar os cabelos, gesto “de desespero, inconformidade delirante, desatino”; outrora, no Antigo Testamento, “protesto moral contras as iniqüidades, injustiças sacrilégios”; coçar a cabeça, “impaciência, inconformação, perplexidade” (CÂMARA CASCUDO, na “História dos Nossos Gestos”).
Ontem, ia em meio a prorrogação do combativo jogo de futebol entre Itália e Alemanha: Alberto Gilardino atira uma bola na trave esquerda do goleiro teutônico e logo leva às mãos à cabeça; pouco depois, Lukas Podolski usa desajeitadamente a cabeça para lançar mal uma bola que transitava pela área italiana; o gesto das mãos à cabeça difunde-se a seguir: Podolski e Michael Ballack o externam (veja-se a foto abaixo divulgada ontem em vários sítios).

Escrito por V-P (nieto) às 11h52
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Brasil vs. França (dói a cabeça)
Foi na companhia de um grande amigo e notável jurista, um irmão fiduciário, que vi o futebol brasileiro despedir-se à francesa da Copa de 2006. Se descortesia houve em nossos atletas saírem “en cachette”, isso não foi, decerto, por culpa da recepção principalesca de Zizou. Mas não quero aqui falar de saídas menos corteses. Quero agora falar de gestos relativos à cabeça.
Isso porque esse meu referido amigo, mal acabava o jogo, metera as mãos sobre a cabeça. Eu vi, meus alunos, eu vi. Como também vi, pela televisão, um outro torcedor abaixando a cabeça, um terceiro a penduleá-la, um técnico a coçá-la, o inglês Frank Lampard desalinhando-lhe a cobertura (a da própria, não a do técnico), o argentino Esteban Cambiasso na ameaça de arrancar o resto de seus cabelos.
Eu próprio —cativado pela requintada anfitrionia desse meu irmão e de sua magnífica JUJU (a servirem-me, não sem certa adivinhável dose de ironia, um sapientíssimo tinto ARGENTINO…)—, eu próprio, ao largo do jogo, também assanhei os cabelos que não tenho.
Aí, nesses exemplos catados às pressas, recolho uma tradição gestual, tradição a cujo inquérito de significado estamos por agora, neste “blog”, a inclinar-nos. “Abanar a cabeça”, “cabeça oscilante”, “coçar a cabeça”, “puxar os cabelos”, “mãos na cabeça”, “curvar a cabeça”, “baixar a cabeça”, “assanhar o cabelo”, “bater na testa”, “cabeça balançando no bailado”: temas todos a que se dedicou nosso CÂMARA CASCUDO.
A esses pontos voltarei em próxima postagem.
Escrito por V-P (nieto) às 08h50
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Nova inflição de pena em efígie
Leio no noticiário eletrônico da Folha de S.Paulo que se pôs fogo, ontem, domingo 2 julho de 2006, em Chapecó, a uma estátua, com cerca de cinco metros de altura, feita de fibra de vidro e resina, que se erguera em homenagem ao jogador de futebol conhecido pelo vulgo "Ronaldinho Gaúcho".
Trata-se de mais um corriqueiro episódio de pena em efígie.
Um pequeno estudo a esse propósito, recentemente, publicou-se no Brasil, na obra coletiva "Estudos em Homenagem a Gilberto Valente da Silva" (ed. Sergio Antonio Fabris, de Porto Alegre). Veja-se ali "A derrubada da estátua de Saddam Hussein...". É assim, de fato, que passa a glória do mundo.
Escrito por V-P (nieto) às 11h32
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Meu direito à saudade
(Para que não digam que me avesso das nossas tradições futebolísticas).
Um dia destes sugerirei a algum de meus estimados alunos que, por tema de conclusão do curso jurídico, medite sobre o DIREITO À SAUDADE.
Está bem, hoje estou invadido de uma ironia merencórica. Desculpem-me o mau jeito. Menos mal que a seleção lusista prossegue em marcha.
Lembra-me 1982. Ali, sim, sofri um sofrimento sofrível: uma espécie de solidão inacabável, coletiva, impreenchível, quando aquele terceiro gol italiano desconstruiu o que parecia humanamente indestrutível. Mantive-me fiel à invenção do mistério de uma grande equipe de futebol, aquela nossa de 82.
O que agora me exaspera, com esse time de estrelas e parreirices, é que me espoliam o direito de ter uma saudade vívida, esperançosa, projetável à idéia de regresso, dedicada à descoberta do outro. Só se o outro é a gente da Terra de França, bucólica, anunciando le jour de gloire (qu’) est arrivé, e não um grupo que mais parece posado para a publicidade do dia seguinte.
Não, não terá sido francês algum quem esbulhou meu direito à saudade. Foi uma coisa mais trivial, mais vulgar: a empáfia, a arrogância… ou, graficamente, o imprudente cuidado com as meias arriadas, enquanto o adversário gaulês vulnerava nossas trincheiras.
A saudade resolve-se positivamente pelo descobrimento do outro, esse outro que merece, no mistério de seu ser, atenção e descoberta progressiva e paciente.
Em matéria de futebol, recuso-me a abdicar de um regresso das nossas virtudes de 82.
Escrito por V-P (nieto) às 10h19
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A tradição e os dois corcundas
Como se aludiu abaixo (: “Tradição: referência nominal-etimológica”), traditio, em sentido próprio, é transmissão, entrega, e não o objeto que se transmite. Além dessa distinção entre a traditio e a objeto transmitido, é preciso não menos distinguir, de um lado, o que verdadeiramente se transmite e, do outro lado, aquilo que é mero veículo ou envoltório do objeto entregue.
Um exemplo escolar vem a propósito.
Consideremos aqui um dos contos de encantamento que CÂMARA CASCUDO reuniu: “Os Compadres Corcundas”.
Nele surge não só a imagem crítica do “espírito do ricaço” —o que não se confunde com a idéia de “ser rico”—, mas um inesperado desfecho de Fé cristã.
Deixo o tema do “ricaço” para outra postagem. Agora dedico-me ao desate cristão.
O corcunda ricaço, ambicioso, interrompe o canto da gente encantada, que estava a repetir: “Segunda, terça-feira/Vai, vem!/Quarta e quinta-feira,/Meu bem!”. Acrescenta o ricaço: “Sexta, sábado e domingo!/Também!”.
O chefe daquele povo esquisito gritou furioso: “Quem lhe mandou meter-se onde não é chamado, seu corcunda besta? Você não sabe que gente encantada não quer saber de sexta-feira, dia em que morreu o Filho do Alto; sábado, dia em que morreu o Filho do Pecado, e domingo, dia em que ressuscitou quem nunca morre?”.
A fantasia é um acidente, já o epílogo contém o cerne do transmitido, matéria de assentimento universal.
Escrito por V-P (nieto) às 09h29
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